A queda da receita fiscal Causa Justa 04/07/12, 09:56Por João Caiado Guerreiro * Até ao final dos anos 80 do século passado, pagavam-se, em Portugal, impostos razoáveis. A economia crescia e a receita fiscal ia crescendo, de ano para ano. Os impostos também cresciam, mas os aumentos eram moderados. Com a reforma fiscal liderada por Miguel Cadilhe e Oliveira e Costa - sim senhor, o ex-presidente do BPN foi secretário de estado dos assuntos fiscais - os impostos começaram a apertar. Porém, foi só a partir do final da década de noventa, que os valores cobrados aos portugueses, empresas e particulares, começaram a tornar-se insustentáveis. A bem sucedida reforma da administração fiscal liderada por Paulo Macedo melhorou muito a eficácia da administração fiscal. As alterações que se lhe seguiram foram também no sentido de melhoria da eficácia, á custa, sobretudo, dos direitos dos contribuintes. Aplicaram-se ideias de todo o tipo, de tal forma que hoje temos desde o famoso "paga primeiro discute depois" à inversão do ónus da prova - presume-se culpado até prova da inocência - às multas absolutamente brutais, transformadas, com despudor, em fonte de receita. Toda esta fiscalidade, junta aos custos do contexto, tornou Portugal um país onde é dificílimo, se não impossível, fazer negócios e criar empregos. Apesar disso, a Troika veio obrigar a mais aumentos de impostos. O resultado está aí: os impostos aumentam em termos nominais, mas a receita cai. Laffer, o economista americano que criou a famosa curva que têm o seu nome, estava certo. A partir de determinado ponto, aumentar os impostos é contraproducente: a receita fiscal não cresce na mesma proporção e acaba mesmo por cair. Recorde-se, aliás, que a nossa carga fiscal, incluindo segurança social, é muito superior aos números que enviamos para as instituições estrangeiras. As autoridades portuguesas são de uma criatividade extraordinária no que respeita a impostos e taxas. Não é difícil perceber que os altíssimos impostos que temos de pagar, desde o IMI, onde há que esperar o pior, ao IRS, IRC e IVA e Segurança Social, têm tido uma contribuição decisiva para o agravamento da crise e o crescimento do desemprego. Que quadros de topo ficarão a trabalhar em Portugal quando o Estado lhes fica com mais de três quartos do rendimento? Como vamos ter novos empresários se o risco é elevado e a recompensa pequena, dada a cura de emagrecimento a que a fiscalidade sujeita as empresas? E como pagaremos o IVA se os tribunais não conseguem cobrar dívidas de forma célere? E até quando vão os portugueses aceitar pacificamente pagar estes altíssimos impostos? * Advogado, jguerreiro@caiadoguerreiro.com ![]() ![]() ![]() 19/04/13, 09:34 Thatcher e PortugalPor João Caiado Guerreiro *"Não se consegue ajudar os fracos enfraquecendo os fortes. Não se consegue criar prosperidade desencorajando a poupança. 20/03/13, 09:21 Portugal e o resgate de ChiprePor João Caiado Guerreiro*O resgate de Chipre pela Troika está a causar sensação em todo o mundo. A parte grega de Chipre está na Zona Euro. É Europa 27/02/13, 10:51 E a avaliação da Troika?Por João Caiado Guerreiro*Se a Troika nos avalia a nós, parece-me que também nós devemos avaliar a Troika. A avaliação deve, porém, ser feita de forma 13/02/13, 10:49 A reforma do Estado e o supermodelo nórdicoPor João Caiado Guerreiro *As reformas estruturais são temas centrais da nossa narrativa política. Como disse Camões, "Todo o mundo é composto de mudança, |