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Antevisão: Entre a receita e a asfixia fiscal em 2012
Destaque
17/10/11, 01:05

Mais receita a cobrar junto das famílias e das empresas antecipa um período de grande asfixia fiscal. Análise completa pelo Departamento de Consultoria Fiscal da Baker Tilly para o OJE


Num momento em que ainda se encontram a ser debatidos o âmbito e teor das medidas fiscais a introduzir no Orçamento do Estado para 2012 ("OE"), que se coadunem com as exigências da troika e com as necessidades de aumento de receita do Governo, as famílias e as empresas devem preparar-se para o clima de asfixia fiscal que se avizinha e conhecer, de antemão, aquelas que se prevêem ser as principais alterações.
 
 
IRS - deduções a caminho do fim
Conforme amplamente difundido nos últimos dias, são expectáveis significativas limitações nas deduções à colecta existentes em IRS, nomeadamente na saúde, encargos com imóveis, bem como as deduções existentes sobre os rendimentos dos pensionistas, com impacto directo na vida das famílias.
 
Assim, deverão ser impostos limites sobre o valor das deduções à colecta nos escalões de rendimentos que ultrapassem cerca de 7.600€. As despesas de saúde serão dedutíveis em 10% do respectivo valor, com um limite indexado ao IAS, ao invés dos actuais 30% sem limite.
 
Semelhante tipo de redução verificar-se-á igualmente relativamente aos encargos com imóveis, cuja taxa de dedução deverá descer para 15%, substituindo a actual taxa de 30%.
 
Prevê-se ainda que o Governo inclua uma taxa de IRS associada, exclusivamente, à capacidade contributiva dos contribuintes com maiores rendimentos, a qual deverá ascender a 2,5% - a taxa de solidariedade.
 
O aumento da receita fiscal será possivelmente alcançado por via do aumento da incidência de IRS sobre os rendimentos prediais auferidos por não residentes em território português, devendo a respectiva taxa especial aumentar de 15% para 16,5%. Tal situação é igualmente expectável, já há algum tempo, relativamente às mais-valias obtidas por não residentes em Portugal, nomeadamente na alienação de partes sociais, sujeitas a uma taxa especial de 21,5%.
 
Com alguma perplexidade, verifica-se que a sobretaxa extraordinária de IRS de 3,5%, introduzida em Setembro de 2011, não será prorrogada para os rendimentos sujeitos a IRS, auferidos em 2012, cumprindo assim o Governo com o alcance da medida transitória prevista para vigorar apenas em 2011.
 
 
Empresas pagam mais IRC
À semelhança da tendência verificada em IRS, o Governo anunciou agravar, em 5%, a tributação das empresas que obtenham lucros superiores a 10 milhões de euros.
 
Revelando o empenho em travar a saída de riqueza do território nacional, o Governo comunicou ainda o aumento da taxa liberatória para 30%, sobre as transacções financeiras realizadas para paraísos fiscais.
 
Uma vez mais, prevê-se que o regime associado aos prejuízos fiscais sofra alterações, podendo a respectiva dedução ser efectuada aos lucros tributáveis por 5 períodos de tributação. Mas antecipa-se que possa vir a ser fixado um limite quanto ao valor deduzido, mediante a fixação de uma percentagem relevante do lucro tributável.
 
E expectável que o Governo reforce a incidência de derrama estadual introduzida no contexto do OE de 2011, através do aumento da respectiva taxa para 3%, e da diminuição do valor a partir do qual esta taxa é aplicável para Euro 1.500.000, previsivelmente.
 
A contribuição sobre o sector bancário, introduzida com o OE para 2011, deverá manter-se.
 

1  Comentários
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COMENTÁRIOS
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comentário19/10/11, 16:53
Pois é! Um contribuinte do interior irá pagar tanto como outro do litoral, mas o investimento estatal no interior é muito menor, por vezes quase nulo, já para não falar nas oportunidades e condições de mercado…. Sabiam que o distrito de Bragança é o único que ainda não possui 1 único km de auto-estrada? E que dizer a um empresário que, com base na PROMESSA DE UMA TAXA REDUZIDA DE IRC POR 5 ANOS, decide contrariar a tendência de fuga para o litoral, e faz um investimento no interior (assumindo todas as contrariedades daí decorrentes), mas que logo no segundo ano vê essa taxa AUMENTAR EM 15% (para além dos aumentos de IVA, IRS, electricidade…)? Devolvemos-lhe o investimento feito, pedimos-lhe que esqueça os últimos meses de vida e convidámo-lo a ir para o litoral? É no mínimo uma grande imoralidade, para não dizer criminoso, quebrar uma promessa que traz tão graves consequências para quem decidiu lutar…
Anónimo
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