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As exportações como único motor de crescimento
Destaque
29/06/12, 00:15
Por Pedro Fonseca de Castro/OJE

Face à quebra do investimento e do consumo, a exportação é a chave contra a recessão. A bússola aponta para fora da Europa, mas os riscos cambiais espreitam. À banca, cabe abrir a torneira do crédito e, às empresas, apostar na inovação. De Espanha, sopram ventos contrários.

 
Num país mergulhado em austeridade, as exportações são hoje a única mola de crescimento, com o investimento do Estado e das empresas e o consumo privado deprimidos face às medidas impostas pela Troika.

 
Com o Produto Interno Bruto (PIB) a quebrar 1,6% no ano passado, e quando se espera uma nova contração de cerca de 3% para o final de 2012, exportar e apostar em novas geografias é, cada vez mais, sinónimo de expansão e constitui a única fuga a uma conjuntura económica sombria na Zona Euro. Acresce que as vendas ao exterior são uma forma de compensar as debilidades estruturais da economia portuguesa, que apresenta um défice comercial persistente.

 
Quanto aos destinos de exportação, embora a União Europeia (UE) a 27 continue a atrair cerca de três quartos dos produtos enviados por Portugal, os economistas são unânimes em defender a aposta em novos mercados, como o Brasil, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), sobretudo Angola, norte de África, Europa de Leste e América Latina. No entanto, as exportações para estes destinos fora da área de influência da moeda única também levantam problemas, relacionados, por exemplo, com o protecionismo e os riscos cambiais.

 
Neste âmbito, o setor financeiro tem um papel a desempenhar. Para além da concessão de crédito, cujo volume também não escapou ao ajustamento económico e financeiro em curso, instrumentos como os seguros de crédito e os meios de cobertura de risco cambial, como os forwards cambiais, os futuros sobre taxas de câmbio ou os swaps cambiais, constituem incentivos à exportação.

 
Relativamente aos setores de maior potencial, e tendo sempre como linha orientadora a inovação e a qualidade, a aposta deve recair sobre as Tecnologias da Informação (TI), energias renováveis e indústria automóvel, sem descurar novos clusters, como a aeronáutica ou a biotecnologia. A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) afirma ainda a importância dos setores tradicionais, como o têxtil e o calçado, que apresentam quotas de exportação que chegam a superar a fasquia dos 90%. No fundo, os mercados alvo mais maduros devem ser atacados com produtos mais sofisticados, enquanto as economias emergentes e de mais rápido crescimento recebem artigos de menor incorporação tecnológica.

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