Novo primeiro-ministro grego promete "fazer tudo para sair da crise"
Internacional
20/06/12, 16:21 OJE/Lusa
O novo primeiro-ministro grego, o conservador Antonis Samaras, assegurou hoje que vai "fazer tudo para que o país saia da crise", após ter prestado juramento perante o Presidente da Grécia.
"Com a ajuda de Deus, vamos fazer tudo para que o país saia da crise. Amanhã (quinta-feira) vou pedir ao governo para trabalhar duramente e fornecer ao povo grego uma esperança tangível", declarou à saída do palácio presidencial.
O novo executivo helénico, que põe termo a sete semanas de incertezas políticas e duas eleições legislativas antecipadas que decorreram em 6 de maio e 17 de junho, vai integrar o partido Nova Democracia (ND) de Samaras - vencedor do escrutínio de domingo mas sem maioria absoluta -, o Pasok (socialistas moderados) de Evangelos Venizelos e a coligação Dimar (Esquerda Democrática, moderados) liderada por Fotis Kovelis.
O líder da Dimar já disse pretender que o novo executivo "liberte o país dos dolorosos termos" do memorando de entendimento com os credores internacionais (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), que em troca de dois avultados empréstimos impuseram dolorosas medidas de austeridade.
De acordo com os media gregos, Vassilis Rapanos, presidente do Banco central da Grécia e um antigo professor de Economia que integrou o governo quando a Grécia aderiu à zona euro em 2001, poderá ser designado como novo ministro das Finanças.
A primeira prioridade do novo governo será retomar o contacto com os credores internacionais e reiniciar o envio dos empréstimos que foram interrompidos durante o longo processo eleitoral.
Os credores internacionais, com destaque para a Alemanha, já referiram estarem apenas disponíveis para fornecer à Grécia mais algum tempo no cumprimento do objetivo da redução do défice até 2014, mas sem alterar a substância do memorando acordado em fevereiro.
No entanto, Samaras, 61 anos, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cultura em anteriores governos conservadores, com formação universitária em Economia nos Estados Unidos, está sob pressão para adotar medidas mais arrojadas, e durante a campanha eleitoral prometeu reduzir os impostos sobre o imobiliário e as vendas, e ainda congelar as reduções dos salários, reformas e pensões da administração pública.
"Não podem ocorrer discussões sobre a alteração da substância dos acordos mas como indiquei há três ou quatro semanas, podemos abordar a questão do prolongamento dos prazos", disse a uma rádio austríaca na terça-feira o chefe do Eurogrupo, Jean-Claude Junker, numa referência à Grécia.
Numa antecipação à cimeira dos ministros das Finanças europeus na quinta-feira, e citado pela agência noticiosa AFP, um responsável da UE admitiu a possibilidade de concessões, ao referir que seria "uma desilusão" e "estúpido" manter intacto o memorando de entendimento.
Nas atuais condições, a Grécia deverá proceder a cortes de 11,5 mil milhões de euros - o equivalente a 5% do seu PIB - até 2014, apesar de diversos responsáveis gregos terem já solicitado um alargamento do prazo até 2016.