Imobiliário comercial caiu 55% no semestre em Portugal
Negócios
03/08/12, 10:20 OJE
O investimento imobiliário comercial está a níveis irrisórios em Portugal. No 1º semestre deste ano foram feitas transações no valor de 53 milhões de euros, uma queda de 55% em termos homólogos, avança a consultora Cushman & Wakefield (C&W).
Adianta a mesma fonte que se registou um agravamento da performance desta indústria, continuando a refletir a crise financeira que se vive no país. Entre Janeiro e Junho de 2012 foram registados negócios de investimento no setor comercial (excluindo o investimento institucional no setor residencial) que totalizaram um valor na ordem dos 53 milhões de euros, refletindo uma nova quebra face a igual período do ano anterior, neste caso de cerca de 55%. A situação económica do país e as fortes restrições ao financiamento bancário continuam a causar prudência nos investidores e financiadores, gerando um forte impacto na atividade de investimento imobiliário no primeiro semestre. O volume médio por negócio de investimento comercial na primeira metade do ano foi de aproximadamente 7,6 milhões de euros, valor abaixo do mesmo período em 2011, 10,2 milhões de euros, e metade da média nos últimos 10 anos, na ordem dos 17 milhões de euros. Para este baixo volume continua a contribuir a reduzida atividade no mercado dos investidores estrangeiros, embora no início de 2012 se tenha verificado uma melhoria face ao ano anterior, representado o investimento estrangeiro 30% das transações totais, um volume que rondou os 16 milhões de euros. "Apesar das avaliações positivas feitas pela Troika da capacidade de ajustamento da economia portuguesa, e da expetativa de que os indicadores económicos venham a estabilizar, os mais recentes desenvolvimentos na Grécia e Espanha continuam a ter impacto no risco percecionado do país", diz a C&W. Adianta que "as empresas e particulares vêem-se cada vez mais forçados a adotar um conjunto de medidas de saneamento financeiro, o que tem resultado na estagnação da atividade de investimento imobiliário".
Adicionalmente, as rendibilidades oferecidas pelo investimento em produtos imobiliários são menos competitivas face a outro tipo de aplicações. Frisam os analistas que, no entanto, "hoje em dia o mercado português oferece produtos de primeira linha com retornos substancialmente maiores do que aqueles obtidos nos mercados core, pelo que continua a haver um conjunto de investidores internacionais atentos ao nosso mercado". O maior negócio do semestre foi a compra do edifício Castilho 5, por parte do Montepio Associação Mutualista. Seguiu-se a compra do edifício Microsoft Lisbon Experience (antigo pavilhão da realidade virtual), recentemente ocupado pela Microsoft e adquirido por um investidor privado brasileiro. Influenciado por estes dois negócios o setor de escritórios foi responsável pela quase totalidade do investimento no segmento comercial no primeiro semestre de 2012, cerca de 90%. Apesar da situação vivida na atividade de investimento, manteve-se a estimativa das yields prime ao longo da primeira metade do ano, sendo no entanto incerto se irá haver correção negativa dos mesmos até ao final do ano. Em Junho de 2012 as yields prime situaram-se nos 7,75% para centros comerciais e escritórios, e 9,50% para industrial, diferenças que variam entre os 200 e os 275 pontos-base quando comparadas com o pico do mercado em 2007. O cenário adverso esperado para os restantes meses de 2012 não permite à C&W retirar conclusões para a atividade de investimento imobiliário em Portugal. "Se por um lado a pressão de liquidez por parte dos proprietários é cada vez maior, as dúvidas crescentes sobre a estabilidade monetária na zona Euro poderão pôr em causa a atração de capitais estrangeiros para Portugal", concluem os analistas.